Como é possível a Agrofloresta produzir até 80 toneladas de alimentos por hectare, com custo mais baixo e ainda melhorando o solo?

A natureza é sem dúvida surpreendente!!! Como é possível a agrofloresta produzir até 80 toneladas de alimentos por hectare (ou 8 kg por metro quadrado, anualmente), com baixo custo e ainda melhorando o solo? Se comparado ao sistema convencional de produção.

Com um sistema de monocultura irrigada com pivô, sistema de alta tecnologia e caríssimo, com rotação de culturas é possível atingir no máximo 15 toneladas de Soja, milho e feijão em um hectare por ano, onde além de água vão toneladas de adubos químicos (fertilizantes) e agrotóxicos (defensivos agrícolas), solo perdido por erosão, aquecimento do local, compactação e impermeabilização do solo, prejudicando a recarga dos lençóis freáticos, as margens dos rios e a qualidade da água.  E se não utilizarmos pivô e plantio rotacionado essa média de produção desce para de 2 a 5 toneladas.

Além da produtividade (produção por área) a qualidade dos alimentos produzidos são muitos diferentes entre os dois sistemas. Na Agrofloresta é possível trabalhamos com alimentos de maior valor agregado como tubérculos, frutas, castanhas, plantas medicinais, grãos, cereais, hortaliças e até madeira.

Agora, vamos fazer uma continha com base no modelo que utiliza os princípios  e dinâmicas da sucessão natural e da estratificação. Só por alto para lembrar:  O princípio da sucessão permite que se produza diferentes tipos de plantas em uma única área de acordo com seu ciclo de vida (tempo). A estratificação permite a otimização da captação de luz (fotossíntese) considerando as diferentes necessidades por luz e a arquitetura de cada planta.

Produção Agrofloresta por hectare

Produção Agrofloresta por hectare 80 Toneladas

Considerando 1 hectare de agrofloresta: Onde o espaçamento entre os canteiros (linhas) de frutíferas são de 5 metros entre si e largura de 1 metro. Que entre cada canteiro (linha) de frutífera há 3 canteiros de 1 metro cada para as culturas anuais (roça).

Produção Agrofloresta por hectare

Produção Consorciada por hectare/ano. A partir do ano 4 pode se ter as produtividades abaixo. Mas calma, não precisa esperar 1, 2, 3, até 20 anos para começar a colher! Dependendo do desenho do seu SAF é possível colher a partir do primeiro mês.

Culturas perenes / ciclo médio e longo/ pioneiras e secundárias – extrato arbóreo médio / extrato arbóreo inferior:

  • Banana espaçamento 3×5 –> 630 Bananeiras/ ha –> 20 kg/pé —> 12.600 
  • Limão espaçamento 3×5 –> 630 limoeiros/ ha —> 100 kg/pé —> 6.300 
  • Café espaçamento 2 x 5 —> 1.000 pés de café/ha —> 0,7 kg/pé —>  700
  • Abacate espaçamento 10x5m —>  200 abacateiros/ha —> 100 kg/pé —> 2.000
  • Mamão espaçamento 3×5: —> 630 mamões/ha —> 40 kg/pé —> 25.200

Culturas anuais / ciclo curto / Roça / Placenta – Extrato herbáceo / extrato arbustivo:

  • Mandioca: espaçamento 1.5 x 1—> 6.000 manivas/ha —> 4 kg/pé —> 24.000
  • Milho verde: espaçamento 1.5 x 0.5 —> 12.000 pés/ha —>0.3 kg/espiga —> 4.000
  • Feijão: espaçamento 1.5 x 0.5 —> 36.000 pés/hectare —> 0.011/pé —> 396

Total Culturas anuais + perenes —> 62.608 kg/hectare/amo

Olericultura (hortaliças, legumes e vegetais) / Placenta – Extrato herbáceo: 

Vamos considerar um consórcio bem simples e já difundido e que o 1 hectare (10 mil m2) dessa agrofloresta seja dividido tenha 100 metros de largura e 100 metros de comprimento. Isso dá 20 linhas de canteiro de frutíferas + 54 linhas de canteiros de roça —-> 54 linhas de 100 metros = 5.400 m2 de canteiros para nossas hortaliças. Como elas tem o ciclo curto e são bianuais (é possível plantar e colher duas safras por ano) temos:

  • Rúcula: 12 pés/m2 —> 24 pés/ano —> 0.04 kg/pé/ciclo de plantio —> 5.184
  • Alface: 5 pés/m2 —> 10 pés/ano —> 0.2 kg/pé/ciclo de plantio —> 10.800
  • Couve-Flor ou repolho: 4 pés/m2 —> 8 pés/ano —> 0.5 kg/pé/ ciclo de plantio —> 21.600

Total da olericultura —> 37.584 kg/hectare/ano

Total Culturas anuais + Perenes + Oleiricultura = 100.192 kg/hectare/ano (100 toneladas) 

Considerando 20% de perda ————> 80 Toneladas comida/ hectare/ ano.

Consideramos aqui um consórcio de hortaliças e verduras utilizadas em muitos desenhos de SAF sintrópicos, como o sistema FILHO, recém lançado pela Embrapa (Sistema Filho: fruticultura integrada com lavouras e … – Infoteca-e), baseado no modelo desenvolvido pelo pesquisador Ernst Götsch no Sítio Semente em Brasília. Você pode conhecer réplicas desse sistema em várias cidades e estados brasileiros.

Veja um croqui ou uma planta baixa e um desenho de corte transversal do modelo de SAF para entender como a estratificação possibilidade essa variedade de consórcios. Trata-se do aumento da eficiência no aproveitamento da luz. Uma máquina de fotossíntese. É como se ao invés de plantar apenas em área plana o plantio fosse feito em vários andares (extratos) de um prédio (floresta). O manejo e as podas vão influenciar muito na dinâmica e nesses resultados.

Produção Agrofloresta Tonelada por hectare

A independência de adubação e correção anual do solo dá-se principalmente pelo manejo de podas e com a cobertura de solo, que além de produzir uma terra de qualidade química, física e biologicamente falando, retém água, matéria orgânica, acaba com problemas de erosão e promove a infiltração de água (poupança de água) e a recarga dos lençóis freáticos.

A biodiversidade promove o equilíbrio biológico e elimina a necessidade de aplicação de defensivos químicos (agrotóxicos).

As condições climáticas do local de plantio (microclima) favorecem a saúde das plantas, não as expondo a estresses por excesso de insolação, ventos e variações bruscas de temperatura. E ainda a evapotranspiração das plantas promove a chuva.

Aqui está nossa vocação como um país florestal. Nação da abundância de água e biodiversidade. A oportunidade de geração de renda e valor para todo o mundo.  Esse é o modelo “Apple” de produção.

A resposta bem resumidamente é  simples: Menos custo de produção com insumos, mais produtos em volume e qualidade, maior valor agregado, maior diversidade de produtos e consequentemente menos risco na hora da venda.

Vale lembrar uma coisa: Apesar desses índices de produtividade variarem de acordo com o clima, região, solo, quantidade de tempo e recursos para investir, intensidade do manejo, os sistemas agroflorestais (a lógica da sucessão e estratificação, consorciação e outros princípios) podem ser implementados praticamente em qualquer lugar ou bioma do mundo).

Espero ter te auxiliado a entender um pouco mais a lógica das agroflorestas sintrópicas.

Agora eu lanço um desafio ao mesmo tempo uma ajuda para você. Topa? Imagine que você tenha implementado esse sistema no seu sítio, chácara, fazenda, até mesmo no quintal. Produzindo esse cardápio que detalhamos acima, qual seria a receita bruta com a safra de um ano? Nem precisa calcular como preço de orgânicos, pode ser os preços de mercado de alimentos convencionais e nos diga qual seria a sua receita bruta total!

Agradecidos pela oportunidade de trocar essas idéias!

Há braços!

Agrofloresta do Futuro

77 comentários em “Como é possível a Agrofloresta produzir até 80 toneladas de alimentos por hectare, com custo mais baixo e ainda melhorando o solo?

      1. Os modelos de Sistemas são elaborados com um estudo das especies do local, sendo que tem as especies nativas entre outras, Então a resposta para sua pergunta é Sim! Existem n propostas para o semiárido. A pergunta que fica é: O que você quer trabalhar em curte\médio\longo prazo em sua propriedade?

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    1. Muito obrigada, pelo material que compartilhou
      Eu tenho 7 canteiros terrassados, pois e um declive,
      Cada canteiro tem em torno 3×4
      Posso fazer Agro floresta, plantando uma bananeira , 2-3 mandiocas, um mamão, milho , mais as hortaliças.
      Meu raciocínio tá correto
      Obrigada por resposta desde já

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    2. Para mim que sempre vivi no meio rural, não estranho esta proposta, pois tive algo parecido em uma pequena propriedade minha, só por estar sem animais domésticos em seis anos de trigo e soja foi inclive o desenvolvimento tanto econômico como ambiental, cresceu as matas e as lagoas renovaram os animais silvestres, só que temos um inimigo que em dois anos destruiu todo este progresso ambiental O BOI pois ele não se adapta misturado a ecologia!!!

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    3. Vai acontecer um curso de agrofloresta aqui em Nazaré Paulista nos dias 03 e 04/08, ministrado pelo Sérgio Olaya.
      Mais informações pelo (11)997748667
      José Renato

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      1. OiJoaquim, costumo ir mensalmente em Socorro pois tenho avó e familia lá, gostaria bastante de conhecer essas pessoas ou sitios que estejam desenvolvendo agrofloresta por la! Se puder me passar o contato, gratodao!!

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    1. SOU FISCAL DE DEFESA AGROPECUARIA, ENGENHEIRO AGRONOMO, E AFIRMO QUE ESTE SISTEMA É O ULTIMO RECADO DA PESQUISA PARA OS AGRICULTORES. APRENDA SINTROPIA COM O ERNEST, VOCE VAI SE SURPREENDER. MAIS PESSOAS NÃO SIGNIFICA SEMPRE MENOS LUCRO, FAÇA AO MENOS UM PILOTO NA SUA PROPRIEDADE E AS CONTAS, VOCÊ VAI SE SURPREENDER DE VERDADE. NÃO TENHA MEDO.

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      1. http://www.proflorestas.com.br MDL against climate change and global hunger seeks multifunctional partners for Treecoin and tree identification drones and forest inventory watch videos on the site and review (available for download) the 1000 Plan

        Desejo Agroflorestar desbragadamente integrando com as florestas e reflorestas novas, sorvedouros naturais de carbono, MDL`s contra mudança climática e fome global. Levo o financiamento de 100% das necessidades se unidos, vale para todas as propriedades e Municípios. Não tenho fins lucrativos apenas desejo olhar as futuras gerações. Contato Skype Proflorestas wats 47 988582144 ou 47 30317579 depois das 21:00 perguntem a vontade.

        ________________________________

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  1. O problema, dentro dos termos atuais econômicos, isso é, dum sistema capitalista com alta concentração de terras e capital, é que a agrofloresta é muito mais intensiva em mão de obra, representando assim uma lucratividade menor para o dono da terra, mesmo que com produtividade maior.

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      1. No sítio Semente são 8 funcionários se não me engano para 6 hectares, com cada hectares rendendo uma média de 300 mil ao ano, segundo estudo da UNB e embrapa

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    1. Isso não é verdade… É necessário mais.mao de obra mas o lucro é infinitamente maior proporcionalmente… Mas certamente exigirá mais habilidade com pessoas por parte do agricultor, o que em agricultura familiar não se faz tá necessário, uma vez que a mão de obra é da própria família…

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      1. Rendimento = lucro ou remuneração de mão de obra, ganho….
        Assim, 300 mil por há. de lucro é o maior negócio já visto!

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  2. Acho engraçado alguns comentários negativos. Se alguém tiver dúvidas, isso é ótimo, basta tentar na prática, aí se fizer tudo direitinho e de fato não der certo, aí posta aqui os problemas e dificuldade. Viva Sintropia

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  3. Olá, sou estudante de Agroecologia e achei o texto bem didático, valeu! Duas coisas: sabe me dizer se existe um sistema desse na região norte? E no início do texto diz que dependendo do desenho do SAF a colheita já pode ser feita no primeiro mês, pode me mostra ou indicar outro desenho com esse resultado de produtividade, por favor?

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  4. Vc comece algum caso de sucesso em larga escala ou em pequena escala??? Que essa produções seja reais nas atuais condição que a maioria dos solos se encontra??? Acredito que isso que feito o resultados como dito acima aconteceria em situação onde os solos já estão bem estruturado e essa não é a realidade do Brasil!
    Um solo do padrão encontrado pelos nosso ancestrais quando abriram as florestas…. Ou seja uma realidade bem diferente da nossa…
    Para chegar a produzir essa quantidade ITS a long way!

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    1. Existem muitos (muitos mesmo!) casos de sucesso no Brasil com a implementação de sistemas agroflorestais e conceitos permaculturais.

      Inclusive não é necessário dispor de solo “bem estruturado”, ao contrário do que vc imagina, a implementação desses sistema é que possibilita a recuperação do solo e a regeneração da flora e da fauna locais!

      Compartilho dois vídeos da agenda Gotsch apenas pelo teor didático e pela qualidade da produção, mas saiba que o Brasil encabeça a lista dos países com maior número de projetos agroflorestais, existem projetos em todas as regiões, é só procurar!

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  5. Ótimo material, bem esclarecedor para quem quer conhecer mais sobre agroflorestas e quem já está nessa área. Temos uma propriedade no baixo sul da Bahia com mais de 50 hectares implantados, consorciando frutas, especiarias, palmitos e madeira. Não incorporamos hortaliças e verduras nos sistemas, mas sim algumas culturas anuais. Para conhecer melhor o que fazemos: http://www.sucupiraagroflorestas.com. Saudações agroflorestais.

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  6. Gostaria de obter a referência desses números apresentados. Soube que houve uma coleta de dados no sítio Semente, mas gostaria de obter a publicação oficial onde esses números foram gerados, isso dará mais validade ao argumento. Sem a fonte, o belo artigo corre o risco de passar como mera produção de conteúdo. Sou agroflorestor e educador em SAFs e sinto esse ponto muito sensível nos artigos da internet! Grato, saudações a todos!!!

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  7. Os ganhos não esta, em valores reais ´dinheiro´ e sim na satisfação, na alegtia de estar num habiente saudável em harmonia com todos os seres vivos, quem ganha é a nossa casa maior o nosso PLANETA.

    Curtido por 1 pessoa

  8. Bom dia.
    Gostei muito do material, gostaria de aprender mais sobre para implantar no meu sitio.
    Tem algum sistema desse funcionando em Santa Catarina já? Vocês teriam algum material informando mais sobre implantação do sistema na região de Santa Catarina (meio oeste mais precisamente)?
    Obrigado pela atenção.

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  9. Onde consigo os indices de Kg por planta? pois estou montando um planejamento / Plano de Negócios para implementar uma Agrofloresta e preciso de referências para ver qual será a produção anual do agronegócio.

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  10. Estou bem confusos nos cálculos. Revejam os espaçamentos. Por exemplo, a banana não é 5×3 e sim 18 x 2. E não extrapolem para 1 ha e sim para a quantidade de área certa como por exemplo a área de canteiro é de 5,4 de 18 (30% do hectare – descontando o recuo de 0,5 metros entre canteiro e frutífera e 0,3 entre canteiroa)… vários outros erros que daria uma diferença beem significativa.

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    1. também acho que tem algum erro nos cálculos. estou decidido em montar uma SAF e estou montando um plano de negocio para aprovação de financiamento. não estou achando muita literatura sobre isso. o que achei ate agora foi de no máximo 40 toneladas ano por hectare… seria muito valioso para viabilizar o financiamento que estou pleiteando para esta empreitada compartilhar os detalhes deste estudo que chegou em 80 toneladas por hectares por ano. isso vai me ajudar muito a aprovar uma verba maior para área maiores… alguém tem um estudo mais detalhado e cientifico sobre isso? sei que a inciativa é excelente, mas quem tem dinheiro para emprestar precisa de dados mais precisos…

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  11. Olha as semi perenes como a mandioca. Vcs extrapolaram pra 1 hectare sendo que é o espço de covas é apenas 5 de 18. Ou seja, no caso da mandioca, o milho e feijão produtividade seria 28% do que vcs colocaram. E esses espaçamentos entre linhas e plantas, nem vou entrar no mérito de discutir pq é um sistema diferente.

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  12. Aqui em irituia no Pará, através do projeto IVISAN ( Instituto Vida Em Sintropia da Amazônia) criamos um grupo de agrofloresteiros e já estamos colhendo os frutos, somos novos, mas estamos mostrando pra região que fazemos a diferença…

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  13. Não tenho experiência. Tenho um terreno de 3600m em Atibaia e vou começar do zero!!! Obrigado pelo compartilhamento do ótimo material. Irá me ajudar e muito. E quem quiser ajudar de alguma forma 012 997090609 meu contato 🙂

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    1. Tem um grupo sobre esse assunto, tenho um amigo implementando aqui em Nazaré Paulista que faz parte (11) José Renato – (11)997748667, tenho certeza que ficará feliz em te ajudar

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  14. Vai acontecer um curso de agrofloresta aqui em Nazaré Paulista nos dias 03 e 04/08, ministrado pelo Sérgio Olaya.
    Mais informações pelo (11)997748667
    José Renato

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  15. Tem um grupo sobre esse assunto, tenho um amigo implementando aqui em Nazaré Paulista que faz parte (11) José Renato – (11)997748667, tenho certeza que ficará feliz em te ajudar

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  16. Moro na região nordeste RN estado de clima quente, com temperaturas elevadas durante o ano todo, amplitudes térmicas baixas e muitas horas de insolação, além de elevados índices de evaporação com tipo climático semiárido. Consigo implantar este sistema, conhecem alguém que pode me dar suporte técnico para esta atividade, admiro muito a agricultura, mas sou da área de computação. Obrigado

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  17. Conceitos das maiores Agriculturas Sustentáveis do Planeta

    A Agroecologia ou Agricultura Alternativa ou Natural são sistemas que buscam resgatar os conhecimentos tradicionais, aprimorando seu desempenhos ecológicos, tecnológicos e científicos junto aos processos produtivos e na esfera social, com um custo econômico, energético e ambiental inferior e mais sustentável comparado aos modelos convencionais de produção e ainda podem melhorar significativamente a renda e a qualidade de vida alcançada na Agricultura Tradicional.
    Agricultura Orgânica possui um diferencial onde é mais dedicada a escala comercial e mercantil do processo agrícola com certificação obrigatória e de menor necessidade de interação e impacto social
    A Agricultura Biodinâmica é a mais profunda escola de desenvolvimento agrícola e ambiental do ocidente e foi desenvolvida por um eminente mestre de grande importância no início do século, doutor em filosofia chamado Rudolph Steiner que formou seu próprio caminho de desenvolvimento espiritual, chamando-o de Antroposofia ou Escola da Sabedoria do Homem, e conduzia suas múltiplas atividades na esfera da filosofia espiritual, medicina, educação, agricultura, arquitetura, ecologia, arte e dança, religião e cristologia, baseando-se nos estudos avançados do maior poeta alemão do século passado, Goethe, que possuía uma vocação natural e clarividente para o estudo espiritual da botânica e da pesquisa experimental sobre a formação rítmica dos processos vitais, onde observava como a vida se manifestava na sua intencionalidade
    Não apenas com uma abordagem científica racionalista, mas por uma observação dos arquétipos ocultos e que traduzissem a mensagem espiritual daquele ser, daquela organização biológica, transcrevendo ou fornecendo pistas para que possamos compreender a origem cosmogênica da vida e do universo.
    Valorizar-se o ensinamento e a pesquisa de ritmos cósmicos e terrestres, despertando elevados interesses sobre os fenômenos e os delicados processos astronômicos e radiônicos como influência lunar e do Zodíaco, dinamização de preparações homeopáticas que atuam na polaridade energética planetária, sazonalidade, temperatura, clima, botânica, simbiontes, plantas indicadoras, animais de poder, influência e comunicação com divindades naturais e o uso do calendário maia e lunar são premissas básicas na AB.
    A Permacultura é a ciência ecológica e ambiental que desenvolve uma cultura sustentável que integra inicialmente a arquitetura, a engenharia, a ecologia, agronomia, e a nutrição, de uma maneira inter e transdisciplinar, que objetiva utilizar da melhor forma os recursos naturais renováveis possibilitando a formação de cidades e aldeias sociais estruturadas com padrões de sustentabilidade agrícola mais permanentes e de menor gasto de energia e de trabalho para a sua manutenção.
    Desde o planejamento da casa até do ambiente, utilização inclusive econômica das florestas e das matas, de materiais recicláveis e de sistemas muito eficientes de reciclagem de resíduos, diversificação produtiva, produtos de ponta e de alta qualidade como castanhas, óleos, resinas, passas, remédios e produtos farmacêuticos industriais, que possam remunerar melhor os produtores, e tragam uma maior auto-suficiência à propriedade e da economia social e familiar, são os aspectos observados nesta importante e muito avançada escola de desenvolvimento e prática de um ritmo e concepção de vida mais sustentável do III milênio.
    Por isso ampliou-se mais em países mais jovens e mais sustentáveis como a Austrália, Tasmânia e Estados Unidos – Califórnia. A Permacultura busca rejuvenescer amplamente o ecossistema, reproduzir suas cadeias alimentares e níveis tróficos mais naturais, manter e investir em seus climax florestais, introduzindo parâmetros de maior cultivo e maior integração de espécies com um maior valor e aproveitamento econômico, energético e alimentar, e pode ser muito bem desenvolvida no Brasil.
    Permacultura em Resumo:
    Bioconstrução: reuso de resíduos, adobe, super adobe, cobe, taipa, taipa de pilão, pau-a-pique, bambu, pedras, palha rebocada, ferro-cimento, solo-cimento, Yurt, pneus, garrafas, containers, etcs.
    Telhado verde, fogão a lenha, energia solar, turbinas, roda dágua, cisternas, evapotranspiração e zona de raízes, captação de água de chuva, serpentina, banheiro seco, compostagem.
    Policultivos e sistemas agroflorestais ou agroflorestal.
    Zoneamento: I a V. Setorização. Zona I ao redor da residência ou empresa, Zona II horta comercial, pomar comercial, galinheiro, estabulo, etc. Zona III pomar comercial, pasto, lavouras, açudes. Zona IV pomares, lavouras, pastos, agroflorestal. Zona V mata nativa, RPPN, Flonas, etc. Setorização e potencializar os policultivos por m2.
    Moradas Coletivas, Condomínios Ecológicos e Ecovilas. Cidades e bairros Sustentáveis.
    A Agroecologia, a Agricultura Biodinâmica e a Permacultura são assim consideradas portanto nossas agriculturas do futuro, e por isso são interpretadas como nossas próximas etapas de expansão de nossas mais seguras atividades práticas relacionadas à área da produção sustentável de alimentos.
    Estas modernas ciências desta forma conseguem nos apresentar um tipo de desenvolvimento sustentável brasileiro bem próprio, muito ético e muito apreciado por nossa população. Se for aprimorado, pesquisado e difundido pode fortalecer ainda mais a sustentabilidade tão ameaçada de todos nossos ecossistemas.
    Esta formação, resgate antes de seu afogamento, e ampliação de uma cultura sustentável sobretudo na agricultura, meio-ambiente e educação humana torna-se assim a qualidade social que mais está faltando neste momento de nossa década brasileira e mundial em matéria de opção, caminho e destino de desenvolvimento.

    Sistemas Agroflorestais são sistemas de uso da Terra que buscam aproveitar ao máximo as condições ambientais e ecológicas presentes em um ambiente produtivo agrícola e que para isso consorciam ou combinam espécies compatíveis e de interesse agronômico e ecológico em diferentes estratos e composições vegetais. Os objetivos de produção e de utilização culturais, níveis de utilização radicelar dos solos ou da profundidade de penetração de suas raízes, proteção e regulação da etologia ou do comportamento das pragas e agentes biológicos, entre outros são demais funções e cuidados que estes sistemas de produção agrícolas utilizam para serem com ampla eficiência implementados.( Mauro Schorr, Fundação Cidade da Paz, Brasília, DF, 1992).

    Outras definições: “ Sistemas Agroflorestais são aqueles sistemas que aumentam o rendimento e o melhor aproveitamento de uma área agrícola, combinam a produção de culturas agrícolas, espécies florestais e animais simultaneamente ou em sequência, na mesma unidade de área, e ainda empregam práticas de manejo compatível com as práticas da população local.” (Aldrish Kopijni, um dos principais agrossilviculturistas da atualidade, Holandes, fez sua formação na India, é um consultor internacional nesta área, e vive em Botucatu, na Comunidade Demétria – SP)

    “Sistemas Agroflorestais – SAFs, são formas de uso e manejo da terra, nas quais árvores e arbustos são utilizados em associação com cultivos agrícolas e/ou animais, numa mesma área, de maneira simultânea ou numa sequência temporal.” (Jean Dubois, Talvez o maior especialista brasileiro em Sistemas Agroflorestais para a Amazônia e preside uma ONG chamada de REBRAF- Instituto Rede Brasileira Agroflorestal, RJ)

    Os Sistemas Agrossilvipastoris são aqueles sistemas onde existe a interrelaçåo entre os componentes da Produção Agrícola, Florestal e Animal (Amilton Baggio, Centro Nacional de Pesquisa de Florestas, EMBRAPA, Colombo, PR. É um Engenheiro-florestal, doutor em Sistemas Agroflorestais. É um profissional do 3o milênio).

    Método Taungya (Cultura Intercalar): consiste no estabelecimento de cultivos florestais com culturas agrícolas. Emprega o cultivo de espécies anuais nos primeiros anos do cultivo de uma floresta ou de um SAFs. Exs: Bracatinga com feijão, arroz, milho; Cacau com Banana, Milho, Feijão, Café; Castanheira com Café, Banana, Pupunha, Milho, mandioca, entre outros.

    Cultivo em Aléias (Alley Cropping): são cultivadas espécies úteis para a recuperação da fertilidade natural dos solos nas ruas entre as fileiras ou renques plantados com espécies arbóreas, geralmente leguminosas, onde sofrem podas periódicas durante o ano. Estas barreiras de proteção para as culturas agrícolas são mantidas com portes baixos. São cultivadas inclusive em curvas de nível e em terraços como quebra-ventos, cercas vivas, etc. Sua grande vantagem é que o gado se alimenta de seus cortes e o solo é alimentado diretamente com o corte de suas restevas que são dispostas normalmente entre as linhas dos cultivos. Podem revitalizar um ambiente rapidamente e trazer muita economia no manejo do gado. Também podem ser muito importantes como corredores de combate e prevenção aos incêndios florestais, onde são montadas em áreas próximas às florestas, com o plantio de faixas concentradas de até 05ms de largura. Faixas maiores são camadas de quebra-fogos ou Stop-fires. Exs. Acácias, leucena, Algaroba, Caliandra, Erytrina. entre outras.

    Arborização de Culturas: utiliza-se espécies arbóreas de porte médio e alto para a produção de madeira, frutos ou usos múltiplos, plantadas a espaçamentos regulares e amplos permitindo inclusive a mecanização. São os chamados Sistemas Agroflorestais Tradicionais. São muito importantes para as zonas de transição entre as matas e os campos, para a região do Cerrado Brasileiro, para os sistemas de produção monoculturais de Cana-de-açucar e Soja no Brasil, para as comunidades autóctones da Amazônia, entre outras.

    Árvores para Sombreamento: espécies arbóreas de porte médio e alto, madeireiras, frutíferas ou para usos múltiplos, usadas para a proteção de culturas agrícolas anuais ou perenes de sombra (Cacau, Chá, Café, Pupunha, Cardamomo, Gengibre, Medicinais, etc).São formados de forma mais densa e compacta.
    Suporte para Trepadeiras: árvores e arbustos para uso como esteio de culturas como Maracujá, Uva, Chuchu, Cará, Pimenta-do-reino, Guaraná, etc. banbu, Acácia, Grevilha, Eucalipto, Arueira, Mogno, Cedro, entre outras.

    Integraçåo piscicultura-bosques (Aquassilvicultura): árvores cujos frutos sejam aproveitados para alimentaçåo de tanques de piscicultura. Ex.: Araçá, Guavirova, Pitanga, Goiaba, Pessegueiro, Videira, Citrus, Murici, etc.

    Árvores de Valor Comercial: espécies florestais que são cultivadas em áreas específicas, normalmente em terrenos inclinados, na forma de bosques úmidos ou não, que objetivam a venda futura de madeira para movelaria principalmente. Também são cultivadas para cercas vivas inclusive de divisas territoriais e para sombreamento de estradas.

    Árvores para Melhoramento da Fertilidade dos Solos: espécies florestais que possuem a capacidade de nitrogenar o solo enriquecendo-o com niveis de Nitrogênio e Fósforo muito mais elevados e são cultivadas normalmente em práticas mais longas de pousio, no repovoamento de florestas. Também são utilizadas em Sistemas Agroflorestais – SAFs, sobretudo nos sistemas de cultivo em aléias ou alley clopping.

    Agricultura Indígena Tradicional Amazônica: esta agricultura aborígene amazônica chega a introduzir um consórcio com 120 espécies diferentes de aproveitamento alimentar, medicinal, para combater pragas e atrair caça. Possui o uso da Batata-doce como planta básica de controle da regeneração natural da floresta. Seu sistema sustentável possui grande e farta fonte de vitaminas, energia e proteínas.

    Agricultura Sintrópica é o termo designado a um sistema de cultivo agroflorestal (SAF) baseado no conceito de sintropia – principio contrário ao de entropia – caracterizado pela organização, integração, equilíbrio e preservação de energia no ambiente.[1]

    Esta vertente agrícola busca inspiração na dinâmica natural dos ecossistemas virgens – que não sofreram interferência humana – para um manejo sustentável e foi idealizada e difundida por Ernst Götsch, agricultor e pesquisador suíço, nascido em Raperwilsen, em 1948.

    Chegou ao Brasil em 1982 e em 1984 adquiriu a então Fazenda “Fugidos da Terra Seca”, localizada em Piraí do Norte/BA, hoje conhecida como Fazenda Olhos D’água, devido à quantidade de nascentes que foram recuperadas graças ao trabalho sintrópico desenvolvido

    Neste modelo de SAF, as plantas são cultivadas em consórcio e dispostas em linhas paralelas, intercalando sempre espécies de portes e características diferentes, visando o aproveitamento máximo do terreno, e levando em consideração a manutenção e reintrodução das espécies nativas. O ciclo temporal dos consórcios provou-se também fator fundamental para o bom funcionamento deste SAF, assim como a compreensão do mecanismo de sucessão ecológica em uma floresta não manipulada.

    A ideia geral deste manejo é justamente acelerar o processo de sucessão natural, e para tal usam-se principalmente duas técnicas: a capina seletiva, removendo plantas pioneiras nativas (gramíneas, herbáceas e trepadeiras) quando maduras, e a poda de árvores e arbustos, distribuindo em seguida sobre o solo como mulch, proporcionando maior disponibilidade de nutrientes ao solo. As partes removidas das plantas que não são comercializáveis, retornam ao solo com o intuito de adubá-lo e funcionam como uma injeção de NPK natural. Faz-se, portanto, imprescindível o conhecimento e uso adequado dos instrumentos de poda para um bom desenvolvimento da vegetação

    http://g1.globo.com/…/08/conheca-agricultura-sintropica.html

    A Agroecologia, a Agricultura Biodinâmica, Sintropica e a Permacultura são assim consideradas portanto nossas agriculturas do futuro , e por isso são interpretadas como nossas próximas etapas de expansão de nossas mais seguras atividades práticas relacionadas à área da produção sustentável de alimentos.

    Estas modernas ciências desta forma conseguem nos apresentar um tipo de desenvolvimento sustentável brasileiro bem próprio, muito ético e muito apreciado por nossa população. Se for aprimorado, pesquisado e difundido pode fortalecer ainda mais a sustentabilidade tão ameaçada de todos nossos ecossistemas.

    Esta formação, resgate antes de seu afogamento, e ampliação de uma cultura sustentável sobretudo na agricultura, meio-ambiente e educação humana torna-se assim a qualidade social que mais está faltando neste momento de nossa década brasileira e mundial em matéria de opção, caminho e destino de desenvolvimento.

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